Postado em 19 de Abril às 17h29

RETORNO A ATIVIDADE FÍSICA PÓS INFECÇÃO COVID

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Assunto que infelizmente segue atual, muitos pacientes tem apresentado dificuldade no retorno as suas atividades
Existem vários aspectos a serem considerados nesta circunstância.
Em um estudo com cerca de 250 pacientes, a internação hospitalar foi inversamente proporcional a capacidade aeróbica, vale lembrar: isto não é uma regra absoluta. Apenas demonstra uma dentre as tantas variáveis possíveis de influenciar o curso da doença.
Muitas pessoas simplesmente abandonaram ou diminuíram drasticamente seu nível habitual de atividade pré-pandemia e não buscaram alternativas para a situação.
 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Fisiologicamente, apenas algumas semanas sem atividade regular são suficientes para que um resultado de muitos meses se perca. Isso por si só já representa algo importante.
Associe a isto uma possível infecção e temos um cenário perfeito para problemas.
Várias complicações no curso da doença devem ser observadas para que possamos orientar um retorno seguro a prática regular. Dentre tantas, podemos citar as mais importantes:
- cardiológicas;
- tromboembólicas;
- pulmonares;
- neurológicas.
Todas elas associada a fadiga persistente que é rotineiramente vista em muitos desses pacientes contribuem para a condição global.
Um padrão que temos observado é a retorno de queixas músculo-esqueléticas que anteriormente estavam “adormecidas”.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Como visto acima, dado os diversos órgãos e sistemas que podem ser afetados o que devemos considerar:
- a segurança global de quem quer retornar: “está realmente apto para isso?”
- sua capacidade atual, que provavelmente estará muito abaixo do que era anteriormente;
- as demandas próprias da atividade que pratica;
Como não existe um consenso global e nem as diretrizes para isso ainda estão bem estabelecidas, a situação deve ser totalmente individualizada.
Resumidamente podemos graduar a retorno da seguinte forma:


Estágio 1
- repouso inicial: permitir a recuperação das funções, procurar fazer as atividades da vida diária e observar o surgimento de alguma dificuldade nesses mínimos hábitos.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Estágio 2:
- atividade leve: aumento gradual, não excedendo 70% da frequência cardíaca máxima. Nesta fase somente exercícios leves como caminhadas ou bicicleta ergométrica. Evitar exceder mais que 15-20 minutos.


Estágio 3
- atividade moderada: aumento do tempo e da intensidade, procurando não exceder 80% da frequência cardíaca. Um exemplo são caminhadas em ritmo mais intenso ou até corridas leves, exercícios de resistência muscular podem ser iniciados. Procurar atingir cerca de 45 minutos.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Estágio 4
- atividade intensa: procurar manter em cerca de 80% da frequência cardíaca mas aumentar o tempo para até uma hora de atividade. Nos exercícios aeróbicos buscar aproximação gradual do nível pré-doença e nas atividades de resistência muscular objetivar cargas em torno de 70% da condição prévia.


Estágio 5
- treino normal: reintrodução de “sprints”, treinos intervalados e de gesto esportivo específico e na musculação objetivar as cargas e repetições habituais.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Como dito anteriormente, devemos lembrar que cada um terá um tempo de recuperação de acordo com a gravidade de seu acometimento e de suas características próprias.
Essa prescrição básica da atividade deve seguir o acrônimo FITT(origem inglesa) que significa:
- F: frequência, ou seja, número de dias por semana;
- I: intensidade baixa, moderada ou maior;
- T: tempo, considerar aqui os minutos por sessão;
- T: tipo, como resistência, força, mobilidade ou uma combinação.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Por fim, como se trata de algo extremamente complexo, a abordagem multidisciplinar envolvendo: médicos das diversas especialidades, fisioterapeutas, educadores físicos e nutricionistas devem ser procuradas dentro das possibilidades para que as pessoas acometidas dessa doença possam retomar gradualmente toda sua rotina com total segurança.

                                                                                                                        Fonte: COVID-19: Return to play or strenuous activity following infection/ Francis G. O´Connor

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Veja também

ENTENDENDO A DOR CIÁTICA21/09/17 A “ciática” não é uma doença, mas sim um sintoma. Sendo o maior nervo do corpo humano, ele pode ser afetado em diversos locais, seja por um processo inflamatório, como ocorre em uma hérnia discal que irrita uma das raízes que formam o nervo, por condições que geram compressão no seu trajeto desde sua saída na coluna ou......
HÉRNIA DE DISCO LOMBAR24/09/19 Para você ter uma melhor compreensão do problema, imagine os discos de sua coluna como amortecedores: eles distribuem a carga entre as vértebras o que permite a movimentação do nosso tronco. Estruturalmente ele é......
CORRER É PREJUDICAL PARA A COLUNA?07/01 Frequentemente ouvimos esse tipo de questionamento. Numa análise rápida, temos maior impacto ao nos deslocarmos a uma velocidade maior, então teoricamente isso seria aceitável de se pensar. Mas será verdade mesmo? Para......

Voltar para Blog