Postado em 28 de Junho de 2018 às 11h04

RECUPERAÇÃO FUNCIONAL DA DOR LOMBAR EM PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

A dor lombar comumente afeta atletas profissionais e recreacionais em diversas modalidades, afetando negativamente o desempenho.
Uma reabilitação mal orientada, quer seja na carga de exercícios realizada ou na precocidade de alguns movimentos, pode ser extremamente prejudicial.
Um enfoque recente, baseado na terapia funcional cognitiva é uma abordagem contemporânea e extremamente interessante para esses indivíduos.
Nas diversas modalidades há gestos/movimentos que são extremamente comuns em algumas e praticamente inexiste em outras, o conhecimento por parte da equipe que atende este paciente é de suma importância.
Há fatores intrínsecos e extrínsecos que podem ser elencados.


Fatores extrínsecos:
- relacionados ao treinamento: volume, carga, intensidade e cronograma de competição, tem-
po de recuperação;
- relacionados ao meio: superfície, roupas, equipamentos, clima;
- demandas adicionais: casa, trabalho, família, social, outros esportes, mídia, patrocinadores;
- outros: dieta, uso de medicações, tratamentos prévios;
Fatores intrínsecos:


- não modificáveis: sexo, idade, estágio de maturação, tipo de corpo, genética, histórico de lesões;
- controle motor: postura habitual e padrões de movimento, tônus muscular, biomecânica,
movimentos específicos do esporte, técnica;
- condicionamento: flexibilidade, força, resistência, tensão, comprimento muscular, alcance articular, nível esportivo;
- fisiológico: saúde geral, padrão de sono e nível de fadiga;
-psico-emocional: crenças, medos, estratégias de enfrentamento, auto-eficácia, catastrofização, estresse, ansiedade, depressão.


Como devemos proceder:


Abordagem cognitiva


Da mesma forma que ocorre em relação a qualquer outra patologia, um claro entendimento do que é realmente o quadro no tangente nível do problema, estágio em que se encontra, tempo de recuperação e prognóstico deve estar perfeitamente dimensionado entre a equipe profissional e o indivíduo.
Exemplificando, uma pessoa com uma hérnia cervical em uma fase aguda, com sintomas presentes, não poderá nesse momento manter-se realizando uma atividade em que exista uma demanda funcional grande sobre a região do pescoço.

Abordagem comportamental


Neste aspecto, num estágio inicial de recuperação visamos sempre oferecer estratégias para que o atleta consiga realizar suas atividades básicas sem dor, aqui é fundamental o papel do fisioterapeuta, para orientar por exemplo a sentar com menos flexão da lombar através da inclinação da pelve enquanto mantém a região torácica relaxada. Uma alternativa interessante nesses momentos é utilizar-se de vídeos e espelhos, que permitem uma melhor compreensão por parte do paciente, facilitando a evolução no tratamento.
Manutenção do condicionamento
Em algumas circunstâncias, durante um processo de recuperação, a retomada do gesto esportivo prévio é desconfortável e dolorosa, paralelamente a isso ocorre em pouco tempo a perda de um nível de condicionamento que a pessoa se encontrava e isto muitas vezes é angustiante: “mal comecei a correr e a dor voltou...” , numa situação como essa a reavaliação periódica é fundamental.
Pois deve ser identificado a real causa da recidiva da dor, sendo o papel do médico saber identificar a causa, que muitas vezes pode ser a perda de condicionamento causada pela parada da rotina de exercícios e não necessariamente algo relacionado ao quadro patológico inicial.
Isso muitas vezes pode ser corretamente tratado apenas mudando o tipo de atividade por um determinado período e paralelamente manter uma linha de tratamento até que a recuperação tenha sido totalmente obtida e deve-se estar consciente que isso pode durar semanas ou meses.

Retomada da atividade


Cumpridas as etapas acima, o retorno ao gesto esportivo deve ser realizado com cautela.
Muitas vezes por já sentir-se sem dor, vemos alguns pacientes agirem imprudentemente e tentarem reiniciar no nível que estavam quando tiveram que parar: um grande erro.
O corpo humano necessita de um período de adaptação e a carga progressiva corretamente orientada, visando fortalecer aqueles grupamentos musculares que foram enfraquecidos pela doença ou pelo período de recuperação são essenciais.
Esses critérios de volume de treinamento, tempo de recuperação após uma sessão, volume e intensidade são muito variáveis de indivíduo a indivíduo sendo aí o papel do educador físico em diálogo com a pessoa e com o médico envolvido a chave para uma retomada segura e principalmente com menor chance de retorno de queixa.
 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -
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