Postado em 20 de Outubro de 2020 às 13h31

OSTEOPOROSE SECUNDÁRIA

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Embora a osteoporose primária pós-menopausa seja de longe o tipo mais comum, a perda de massa óssea através de outros mecanismos pode se dar de várias outras formas.
Essas causas secundárias podem ser encontradas em 2/3 dos homens que apresentam a doença e em mulheres em mais de 50% em idade pré-menopáusicas e 20% das pós-menopáusicas que apresentam a doença.
Por ser um distúrbio de origem metabólica, diversas dessas causas são relacionadas a patologias que num primeiro momento parecem não ter nenhuma correlação, mas quando devidamente investigadas e identificadas podem trazer grandes benefícios a saúde desses pacientes.
Dentro dessas outras situações que podem levar a osteoporose podemos citar:
- uso crônico de glicocorticoides;
- doenças reumáticas;
- doenças inflamatórias sistêmicas;
- doença pulmonar obstrutiva crônica;
- diabetes melito;
- insuficiência renal;
- pós-transplantados;
- situações que levem a má-absorção intestinal de nutrientes;
- medicações;
Sendo um assunto extenso e complexo, esta abordagem é um alerta aos pacientes e seus familiares para que indaguem os profissionais no sentido de atuarem preventivamente pois os custos e consequências dessas fraturas são significativamente menores quando tratados e acompanhados de forma preventiva.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

1- Induzida por corticoides

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

É a segunda forma mais comum e cerca de 30 a 50% dos pacientes em uso dessas medicações podem apresentar osteoporose.
A doença é induzida rapidamente, na ordem de perda de 6 a 12% da massa óssea total no primeiro ano de tratamento e a partir daí cerca de 3% ao ano.
Associado a isso a também interferência na musculatura, levando a sarcopenia: perda da massa muscular.
Por ocorrer mais no osso medular, facilita significativamente a ocorrência de fraturas vertebrais, aumentando a chance de ocorrência em até 5x.
Nem todos tem a mesma potência de induzir a perda óssea e isso aumenta com o tempo de uso.
Como diversas doenças necessitam tratamento contínuo com corticoide, seu médico deve estar atento e você deve lembra-lo desse potencial risco associado.
As estratégias de tratamento nessa circunstância requerem um manejo e acompanhamento muito cuidadoso

2- Doenças reumáticas e inflamatórias sistêmicas

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Dentre essas, podemos citar a artrite reumatoide, lúpus eritematoso, espondiloartropatias e doença inflamatória intestinal, entre outras menos comuns.
Nessas situações o próprio organismo “interpreta” determinadas áreas do corpo como “intrusas” e por diversos mecanismos certos órgãos e tecidos passam a ser agredidos pelas nossas defesas.
Cada uma tem seu mecanismo específico, mas de uma forma geral elas afetam ou a formação óssea ou aceleram a reabsorção do osso, levando a perda de sua resistência normal.
Além disso, esses pacientes tendem a ser mais sedentários pela própria dor causada por essas doenças em diversas articulações o que leva a perda de massa muscular também.
Nas doenças intestinais que em casos mais graves afetam a absorção de nutrientes, especial atenção deve ser dada a reposição adequada de cálcio e vitamina D e a dieta rigorosamente controlada para evitar crises.
Nas doenças onde o pulmão é mais afetado, o fumo tem que ser completamente evitado e naqueles que não são fumantes, estratégias de tratamento que minimizem o uso de corticoides, mesmos os inalatórios devem ser orientadas pelo profissional.
A estratégia aqui, além do controle adequado da doença de base é tentar manter esses pacientes o mais ativos dentro das limitações impostas pela patologia.

3- Pós-transplantados

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

O transplante é uma terapia consagrada contra doenças em fase terminal de rins, pâncreas, coração, fígado, etc.
Com a evolução do tratamento nessas patologias, a taxa de sobrevida desses pacientes aumentou muito.
Entretanto tais indivíduos necessitam usar terapias imunossupressoras e corticoterapia que elevam muito também a ocorrência de fraturas.
O monitoramento rigoroso pré e pós-operatório deve ser realizado, procurando-se corrigir eventuais causas que facilitam a ocorrência de fraturas.
A duração do tratamento dependerá do tipo de transplante realizado.

4- Doença renal crônica

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Provavelmente a condição mais complexa de tratamento de osteoporose secundária.
Um ou mais tipos de doença óssea podem estar presentes nesses paciente, além da própria osteoporose.
O desequilíbrio presente no balanço de eletrólitos e seu metabolismo normalmente é pronunciado e de difícil manejo.
Nos que estão em hemodiálise, os riscos são ainda maiores: cerca de 20% tem fratura na coluna e o risco de fratura no quadril aumenta em até 14 vezes em algumas séries publicadas.

5- Doenças intestinais

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Tanto as doenças inflamatórias como aquelas que necessitam ressecção de parte do intestino a osteoporose é multifatorial.
Quanto mais cedo se manifesta doença inflamatória, menor a chance de obter-se um adequado pico de massa óssea.
Nos casos onde é feita ressecção, os mais propensos a desenvolverem osteoporose são aqueles onde o íleo foi afetado.

6- Medicações 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Embora muitas medicações sejam imprescindíveis para o tratamento e controle de diversas doenças, elas não são isentas de paraefeitos.
Dentro desses efeitos não desejados, a perda de massa óssea é um dos menos citados e mais perigosos se não for adequadamente monitorado.
Exemplos:
- terapia de privação hormonal, necessária em tumores prostáticos em homens e tumores de mama em mulheres;
- medicações usadas no tratamento de diabetes;
- protetores gástricos;
- antiepilépticos;
Obviamente os riscos e benefícios devem ser postos na balança e é importante que medidas adequadas sejam sempre implementadas precocemente.

LEMBRE-SE, O MELHOR TRATAMENTO PARA A OSTEOPOROSE EM QUAISQUER DOS SEUS TIPOS DE APRESENTAÇÃO É ATUAR PREVENTIVAMENTE.
É MAIS FÁCIL TRATAR UMA FRATURA OU EVITARMOS QUE ELA ACONTEÇA?
 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

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