Postado em 14 de Janeiro de 2018 às 19h37

LESÕES MUSCULARES

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

O incentivo a um estilo de vida mais ativo é algo que sabidamente diminui riscos de diversas doenças comuns a fase adulta e terceira idade, tais como doenças cardiovasculares, hipertensão, etc.
Podendo ocorrer tanto nas extremidades quanto no próprio tronco, como na região lombar, há diversos fatores relacionados a sua ocorrência: idade, nível de sedentarismo/condicionamento prévio ao início da atividade, flexibilidade, uso de tabaco, dentre outros.
Um ponto básico é: quanto maior o estresse ao qual o segmento está exposto, maior deverá ser o nível de preparo. Exemplificando: um indivíduo que gosta de jogar futebol, deve procurar realizar um adequado reforço da musculatura do tronco(estabilização) e das extremidades inferiores, bem como treinamento específico em relação a arrancadas e mudanças de direção, algo que pode ser obtido com um bom educador físico que saiba orientar o exercício voltado para a demanda da pessoa.
Uma pergunta comum é: “Doutor, qual a minha chance de recuperação?”, o desfecho de uma lesão muscular é difícil de ser previsto, pois os mesmos fatores individuais que levaram a sua ocorrência, também estarão implicados na recuperação.
Normalmente ocorrem em contração excêntrica, ou seja, quando o músculo é exposto a um movimento de alongamento, como numa arrancada ou em traumas diretos em esportes de maior contato como artes marciais.
O diagnóstico é eminentemente clínico, ou seja, exames subsidiários não necessariamente são obrigatórios, podendo ser úteis quando há dúvidas quanto a natureza da lesão ou para uma melhor quantificação do problema.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -
  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

As lesões musculares são classificadas como grau I, II e III, com base na quantidade de fibras interrompidas de acordo com as investigações clínicas e de imagem.
LESÕES GRAU 1:
- popularmente chamamos de estiramento, normalmente há inchaço e desconforto local com mínima perda de função;
- a ultrassonografia pode ser normal ou ter acúmulo líquido, na ressonância é visível edema sem ruptura discernível das fibras ou perda do padrão normal.

LESÕES GRAU 2:
- são as rupturas parciais, clinicamente perceptíveis na palpação do local;
- em lesões de baixo grau cerca de 1/3 das fibras estão comprometidas, em lesões de grau moderado cerca de 2/3 e acima disso são lesões de alto grau;
- nos exames de imagem na fase aguda são facilmente identificáveis;
- a perda funcional é evidente e claramente desconfortável o uso do membro afetado.

LESÕES GRAU 3:
- são as lesões completas, clinicamente é evidente a descontinuidade local, há importante formação de hematoma local e a dor e disfunção são marcantes;
- exames de imagem apenas corroboram esses achados.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Fase aguda:

-desde o momento do trauma e perdura pelos primeiros dias, nesta fase o respouso, gelo, elevação do membro são importantes;

Fase de reparo:
- praticamente se sobrepõe a fase aguda durante a 1ª semana;
- quando o tecido de cicatrização está se formando ele deve ser gentilmente estressado na linha de tensão normal;
- a frequência, intensidade e duração dos exercícios devem ser individualizados;
- alongamento leve e exercícios isométricos submáximos devem respeitar o limiar de dor;
- sinais de inflamação como calor, inchaço, dor e vermelhidão indicam excesso;

Fase de maturação e remodelação

- quando o colágeno(tecido de cicatrização) é maduro, a tensão deve ser aplicada na linha de tensões normais para uma remodelação adequada;
- este estágio apresenta cerca de 2 a 3 semanas após a lesão e é caracterizado por: ausência de inflamação, arco de movimento com pouco desconforto e nenhuma dor.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

PREVENÇÃO:

Em toda atividade, necessitamos um nível mínimo de condicionamento para evitar a ocorrência dessa desagradável surpresa.
Recomendo rotineiramente a realização de treinamento específico, com profissionais que individualizem a situação do paciente.
Sempre devemos buscar a equalização de flexibilidade, força, resistência e propriocepção.
Especificamente, o aquecimento ativo, como correr ou andar de bicicleta, deve ser útil antes do alongamento muscular específico, especialmente em músculos das articulações com alto risco de tensão, músculos com altas porcentagens de fibras de contração rápida (isquiotibiais, gastrocnêmio, quadríceps, bíceps) e aqueles com alta grau de tensão (flexores do quadril, adutores do quadril, eretores espinhais, manguito rotador). Os músculos que se contraem excentricamente ou desaceleram-se em atividades funcionais de alta velocidade, como o manguito rotador, devem ser alongados por cerca de 30 segundos e repetidos três a quatro vezes.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

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