Postado em 06 de Outubro de 2019 às 20h53

HÉRNIA DE DISCO LOMBAR 2: OPÇÕES DE TRATAMENTO

A abordagem inicial, salvo nos casos onde existem sinais inequívocos de emergência, deve ser o tratamento conservador.
A magnitude da dor é o mais inquietante ao paciente, mas deve ser lembrado que na maioria dos casos ela irá regredir substancialmente no transcorrer de algumas semanas.
A percepção da intensidade varia de indivíduo para indivíduo: não devemos ter como parâmetro o tamanho da hérnia.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

O uso dessa escala permite ao médico mensurar a intensidade da dor, facilitando a prescrição de medicações de acordo com a percepção do paciente.

Podemos dividir em tratamento conservador e cirúrgico.
Muitas pessoas pedem para ser operadas imediatamente sendo que a sua dor não foi corretamente manejada. Frequentemente vemos indivíduos que estão com dose baixa de medicamentos e por isso acabam na mesa cirúrgica.
O sintoma é muito intenso no início e deve ser encarado como tal. A medida que a magnitude da dor seja controlada, as doses analgésicas podem ser diminuídas para que o paciente não tenha efeitos colaterais com as medicações, o que é comum de ocorrer.

Tratamento conservador:

As medidas mais comumente prescritas são:
- repouso: não deve ser prolongado, no máximo 2 ou 3 dias, pois a atrofia da musculatura do tronco por ficar muito tempo deitado será um fator de piora para queixa;


- uso de calor ou gelo: a reposta normalmente é individual, mas normalmente um dos dois irá ajudar no controle do espasmo muscular e consequentemente na dor e desconforto. Tanto um quanto o outro deve ser mantido no máximo por 20 minutos;

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- medicações: devem ser associados diferentes classes de remédios. A dor irá variar durante o dia e também com simples mudanças de posição do tronco. Você deverá tomá-las em horários corretos e também deve ter em mente que mesmo em doses altas eventualmente não haverá controle da queixa, necessitando inclusive de medicação endovenosa para controle adequado;

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- fisioterapia: é um dos pilares do tratamento conservador quando bem realizada. As medidas adotadas variarão de acordo com o momento que o paciente se encontra: se na crise inflamatória ou já num período de remissão. É muito importante que o fisioterapeuta dialogue com o paciente pois algumas medidas que funcionam com alguns pacientes, não necessariamente funcionarão com todos;

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Alguns pacientes percebem que a dor deixa de ocorrer na periferia e passa a ficar mais centralizada na região lombar, isso pode indicar uma regressão do processo inflamatório e pode ser usado como um parâmetro de melhora parcial do quadro.


- injeções epidurais: várias medicações são utilizadas e o objetivo é alívio da queixa dolorosa, seu objetivo não é fazer a hérnia desaparecer, mas sim controle do quadro. Sua resposta é na maioria das vezes temporária e em alguns casos pode trazer alívio completo do sintoma e o paciente a partir daí ter uma evolução positiva;

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Outros métodos como a quiropraxia, acupuntura, massagens também são utilizados, entretanto a literatura médica até hoje não obteve um consenso a respeito do quanto podem ou não ser úteis no manejo conservador desses pacientes.
Um fato merece menção: nem sempre a medida que funcionou com uma pessoa, irá funcionar com outra e muitas vezes seguir a opinião de um familiar ou amigo que “sentiu-se melhor com tal método...” pode trazer consequências ruins. Se a sua condição sugere a existência de uma hérnia, procure o médico especialista.
Nos casos em que falha o tratamento conservador ou há progressão da sintomatologia a despeito das medidas adotadas e a qualidade de vida fica prejudicada, a indicação de cirurgia é o caminho.

Tratamento cirúrgico

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Nas suas variantes, a ressecção do fragmento herniado traz alívio substancial da queixa. Se houverem outras situações concomitantes tal como a estenose (fechamento) do trajeto da raiz nervosa, no mesmo ato faz-se a descompressão para ampliar esse local.
Basicamente é feita uma janela óssea e retração dos tecidos que envolvem as estruturas nervosas para que possamos identifica-las e proceder com a retirada do material herniado.
Nos últimos 20 anos, houve um incremento dos métodos para minimizar tempo de internação e danos aos tecidos locais. O profissional deve ter o domínio das mesmas para indicá-las e executá-las para evitar suas complicações. Os custos também variam muito de acordo com o tipo de método empregado.

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E o pós-operatório?


Se não houverem intercorrências e dependendo do tipo de anestesia utilizado, o paciente pode ser liberado precocemente. Algumas atividades já são encorajadas antes mesmo da alta.
Eventualmente quando há muita manipulação das estruturas nervosas para a retirada da hérnia, a dor ainda será algo bastante limitante o que faz necessário permanecer internado para controle do sintoma.
A deambulação precoce é estimulada, sendo que o paciente deve ter em mente que mesmo que o problema tenha sido corretamente tratado, há a chance de recidiva da hérnia que tende a ser menor a medida que o tempo passa.
Conforme sua evolução, seu médico irá orientar-lhe no momento certo quais atividades e medidas você deverá tomar para que mantenha uma evolução positiva a longo prazo.

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Mensagem final


Independentemente do método pelo qual obteve o controle do problema, não esqueça que a manutenção desse controle dependerá muito dos cuidados que você tomar.
O objetivo é o alívio da dor e melhora da qualidade de vida, mas isso também dependerá da sua adesão a uma rotina saudável.
Faça o acompanhamento correto e siga as orientações para evitar novas crises. 

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