Postado em 24 de Setembro às 11h43

HÉRNIA DE DISCO LOMBAR

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Para você ter uma melhor compreensão do problema, imagine os discos de sua coluna como amortecedores: eles distribuem a carga entre as vértebras o que permite a movimentação do nosso tronco.
Estruturalmente ele é composto de uma parte interna que é mais gelatinosa e um anel externo que atua como contenção do “gel”.

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As setas negras indicam a pressão externa, as setas azuis indicam a reação do disco “devolvendo” a pressão

Essa capacidade de suportar carga irá mudar com o próprio envelhecimento do indivíduo, independente da atividade que execute, pois a estrutura química interna dos discos muda no decorrer da vida. Tais mudanças já são perceptíveis entre os 20 e 30 anos de idade e não necessariamente indicam doença. Frequentemente o profissional médico que não tem o conhecimento específico disso, informa ao paciente que essas alterações esperadas são de fato uma hérnia, o que é um equívoco. 

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Esta figura demonstra as mudanças que ocorrem na estrutura discal a medida que envelhecemos

 

Quando existe realmente uma hérnia, os sintomas podem começar de forma súbita ou gradualmente, mas um dos mecanismos mais comuns de ocorrência é quando o indivíduo faz um movimento brusco de flexão do tronco ao erguer um objeto, pois isso gera um estresse adicional na periferia. Alguns pacientes inclusive afirmam ter sentido como se algo escorresse pela perna.
Se a pressão no disco é excessiva, ele poderá romper e esse conteúdo gelatinoso extravasará total ou parcialmente e poderá tocar uma raiz ou mais raízes nervosas e isso causará um processo inflamatório diretamente no nervo.
Cada nervo que sai da coluna corresponde a um território específico no corpo que é a área de sensibilidade e controla determinados músculos, que chamamos de componente motor. Por isso através do exame minucioso do paciente o médico atento poderá já identificar o nível da coluna onde está ocorrendo a hérnia.

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A figura acima demonstra qual movimento é controlado pela respectiva raiz nervosa.
A figura inferior indica o território de sensibilidade correspondente.



A intensidade da dor é um fator marcante: no primeiro episódio normalmente ela é tão incapacitante ao ponte de eventualmente a pessoa não conseguir pisar no chão ou sentar quando ocorre na lombar.


Conhecendo a história natural da doença


Variando na literaratura médica, até de 90% das pessoas que apresentam hérnia de disco lombar não apresentam sintomas ou terão apresentado uma melhora importante até seis semanas depois do início do quadro. Algumas das razões postuladas para isso são:
1- as defesas do corpo interpretam a hérnia como um material estranho, diminuindo o tamanho do material e reduzindo a quantidade de proteínas inflamatórias próximas à raiz nervosa;
2- com o tempo, parte da água de dentro do disco é absorvida pelo corpo, causando a retração do conteúdo extravasado;
3- alguns exercícios de extensão lombar podem afastar o material herniado da raíz inflamada

Embora um hérnia de disco lombar geralmente desperte atenção quando se torna dolorosa, pesquisas médicas descobriram que é relativamente comum as pessoas terem uma hérnia lombar e não ter sintomas decorrentes dela. Por isso é preciso ter cuidado no diagnóstico para garantir que um disco lombar herniado esteja causando o problema o sintoma relatado ou se a dor está vindo de outro local tais como os músculos, ligamentos ou outras articulações.


Quais as situações mais comumente implicadas?


- idade entre 30-50 anos;
- sexo masculino;
- atividades que demandem levantamento de peso repetitivamente e de forma ergonomicamente errada;
- obesidade: existem séries de casos descritas que relatam até 12 vezes mais chance de recorrência de hérnia e sintomas nesses pacientes;
- tabagismo: a nicotina limita diminui a capacidade de nutrição dos discos o que acelera a degeneração do disco e dificulta a cicatrização. Além disso, quanto mais degenerado maior a chance de romper a estrutura periférica, o anel fibroso;
- história familiar: é um dos melhores e por muitos pesquisadores considerado o melhor preditor da ocorrência de uma hérnia.

Como é feito o diagnóstico?


Embora atualmente tenhamos facilidade de realizar exames de imagem, o diagnóstico correto se dá pela história e exame físico realizado pelo médico: a alteração de sensibilidade e de força devem corresponder ao nível onde a hérnia apareça no exame de imagem.
Deve haver a estreita correlação entre os achados de alterações no indivíduo com o que observamos nos exames subsidiários. 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Esta manobra, apesar de desconfortável para o paciente sintomático, é importante para o diagnóstico do quadro.

O padrão-ouro desses exames complementares é a ressonância magnética, mas como a dor ciática pode ser por outros motivos, eventualmente há necessidade de outros exames de imagem e também laboratoriais para diagnóstico diferencial e correta condução do caso.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

A  área vermelha  sinaliza a hérnia, que encontra-se marcada na ressonância

O que é “ciática”?


É a dor de origem no nervo ciático, que é um dos maiores do corpo, estendendo-se desde a região lombar até suas terminações finais no pé.
No auge da crise, a dor no membro inferior é mais intensa que na lombar. A dor específica na lombar normalmente está relacionada ao espasmo dos músculos da região, que tentam dessa forma bloquear o movimento
Essa dor pode ser descrita como agulhada, dormência no trajeto do nervo e torna-se mais intensa quando fazemos movimentos de flexão do tronco ou fazemos esforços que aumentem a pressão abdominal, como tossir ou evacuar.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

A trajetória da dor nem sempre corresponderá a todo trajeto, haverá uma área de maior intensidade e também poderá mudar durante a evolução do problema.

Quando a situação é urgente?


Estando a dor controlada, o problema pode ser manejado por um determinado período para que o corpo possa responder adequadamente e nesse prazo os sintomas gradativamente reduzindo, isso não ocorrerá de uma hora para outra e pode levar várias semanas.
Entretanto se houver:
- perda do controle urinário e das fezes;
- alteração da sensibilidade na região genital, o que chamamos de anestesia em sela;
- perda de força em ambos membros inferiores: paralisia flácida – “moles”.
Isso caracterizará a síndrome da cauda equina, o que indica a cirurgia o mais rapidamente possível sob risco de essas alterações se tornarem permanentes.

 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

O padrão da anestesia em sela está indicado em amarelo

NO PRÓXIMO ARTIGO: 2)OPÇÕES DE TRATAMENTO

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