Postado em 21 de Dezembro de 2019 às 12h21

DOENÇA DO DISCO CERVICAL

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Estenose significa fechamento, ou seja, estreitamento patológico de algum conduto no organismo.
Na coluna cervical temos 2 condições possíveis:
- estenose a nível dos forâmes intervertebrais, onde saem as raízes nervosas;
- estenose a nível do canal medular, uma compressão direta sobre a medula.
A diferenciação correta de onde estão vindo os sintomas do paciente, a apresentação clínica e a sua evolução no decorrer do tempo são fundamentais na conduta médica a ser adotada.
Como existem diferenças importantes e detalhes que o paciente deve saber, nesta matéria abordaremos a estenose foraminal e na matéria subsequente a estenose do canal medular.
 

Inicialmente deve ser lembrado que nem sempre a existência da estenose irá causar sintomas.
Achados de exames de imagem devem ser estritamente correlacionados com o que o paciente conta e com o que pode ser observado ao ser examinado: alteração da força, alteração de reflexos, etc.
Seus sintomas podem variar desde leve desconforto em determinadas posturas ou situações até condição extremamente dolorosa e limitante.
Quando a dor é de origem da estenose, mais comumente temos:
- dor somente no pescoço;
- dor no pescoço irradiada para o membro superior;
- sensação de formigamento, dormência ou perda de força em alguma região específica como ombro, cotovelo ou mão mais comumente para um lado do corpo.
As causas mais frequentes serão:
- uma hérnia discal cervical, que irá obstruir parcialmente o trajeto da raiz nervosa na saída da coluna.
- degeneração do disco cervical, que irá diminuir de altura e levar ao estreitamento do espaço da raiz nervosa.
Embora mais raramente, podem também ser causas de compressão: cistos, tumores, instabilidade(movimento anormal) entre as vértebras.

Identificando o problema


Como cada raiz nervosa controla determinada área de sensibilidade, tecnicamente chamada de dermátomo e a força e movimento de determinados músculos, através de testes específicos o médico é capaz de identificar o nível onde está ocorrendo a situação.
A imagem abaixo ilustra o trajeto da área de dominância das raízes nervosas cervicais.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Abaixo e acima também pode eventualmente haver outras raízes comprometidas, mas são menos comuns de ocorrer.
Essas mesmas estruturas nervosas irão percorrer todo o membro superior até atingir a mão, podendo ser comprimidas em pontos específicos nesse caminho.
A diferenciação entre uma compressão de raiz ao nível da coluna ou a compressão do nervo em si em seu trajeto é fundamental para que o paciente não seja exposto a procedimentos de forma equivocada.
Deve também ser lembrado que o paciente pode apresentar a compressão tanto na saída da coluna e ao mesmo tempo apresentar a compressão no membro.

Como gerenciar o problema


É importante o paciente saber que ao passo que o estreitamento foraminal tende a progredir pelo próprio envelhecimento, isso não necessariamente será acompanhado pela piora de sintomas relacionados.
A maior parte das pessoas responde bem as medidas conservadoras e a partir disso devem ser reavaliadas periodicamente para que tais medidas passem a fazer parte de sua vida.
É comum a partir do momento que a dor diminuir, ocorrer um abandono de tais medidas por parte dos pacientes, o que obviamente favorecerá a ocorrência de novas crises.
Quando a dor, dormência ou a perda de força progridem ou não regridem após 6-8 semanas de tratamento conservador adequado, deve ser considerado o tratamento cirúrgico.

Tratamento conservador


Haverão fases distintas na evolução do problema, sendo as medidas de acordo com a fase que o paciente se encontra.
- termoterapia: calor ou gelo, variando de pessoa para pessoa, normalmente ajudam a controlar o desconforto da contratura muscular presente na região cervical;
- fisioterapia: diversas medidas podem ser adotadas, sendo a resposta também variável entre indivíduos. Entretanto algumas coisas merecem atenção especial: na fase aguda as manipulações devem ser feitas com cautela sob o risco de piorar a dor pois movimentos para o lado da compressão irão estrangular ainda mais a raiz nervosa inflamada; tração cervical na ocorrência de instabilidade também pode exacerbar os sintomas;

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- uso de colar: tanto órteses rígidas que tiram a mobilidade quanto colares de espuma podem ser usados na fase aguda e normalmente trazem conforto, entretanto seu uso de forma ininterrupta irá secundariamente levar a atrofia da muscular cervical, devendo o médido orientar o paciente quanto a isso.

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- medicações: diversas classes podem ser utilizadas, o paciente deve estar atento aos efeitos colaterais e terapêuticos obtidos, para que a comunicação seja facilitada.
- infiltrações: realizadas em centro cirúrgico para que o local seja corretamente identificado, traz alívio temporário, que pode ser de semanas a vários meses, não sendo possível predizer antes da realização.

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Tratamento cirúrgico


Naqueles pacientes que não evoluem satisfatoriamente no tratamento conservador, temos a opção da cirurgia.
Quando optado por este caminho, o esclarecimento adequado dos riscos inerentes a técnica usada bem como os cuidados que deverá ter devem estar perfeitamente assimilados pelo doente e família.
As técnicas mais comumente utilizadas são:


1) Artrodese cervical anterior
Consiste na retirada do disco através de um procedimento realizado “pela frente”. Sendo este substituído por um implante com enxerto ósseo que pode ser do próprio paciente ou sintético. Nesta técnica o segmento que consiste da vértebra superior, espaço discal preenchido pelo implante e vértebra inferior passam a ser um só. Dúvida comum é a restrição de movimento: normalmente é mínima ou nenhuma, não interferindo das atividades diárias.

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2) Artroplastia cervical
Semelhante a artrodese na abordagem utilizada e riscos, porém com a preservação da mobilidade no segmento.
Algumas alterações específicas podem ser fator de contra-indicação e isso deve ser cuidadosamente avaliado pelo cirurgião.
Seus custos são significativamente maiores no Brasil e o resultado funcional e grau de satisfação obtidos são muito parecidos com a técnica anterior.

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3) Foraminotomia posterior:
Consiste na realização de uma pequena “janela” realizada posteriormente, a vantagem maior é a preservação do disco. Entretanto ela tem indicações muito precisas para determinados tipos de hérnia e em alguns segmentos da coluna os riscos são maiores devido a tração exercida nas raízes durante o procedimento.

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4) Foraminotomia anterior:
Método que preserva os elementos vertebrais, tem sua aplicação em um tipo específico de compressão e o profissional deve ter completo domínio da técnica, pois esta tem demandas específicas no trans-operatório que podem prolongar tempo de procedimento/tempo anestésico.

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Mesmo que a cirurgia transcorra sem complicações é importante o paciente seguir as orientações corretas desde o início da recuperação. Trata-se de um passo-a-passo variável e nem todos submetidos ao tratamento gozarão da mesma evolução.
Embora na grande maioria dos casos seja uma cirurgia que traz grande satisfação ao doente pelo importante alívio da dor, há riscos como em qualquer procedimento e mesmo sendo corretamente executado existem pessoas que permanecem com grau residual de dor que deve ser corretamente identificado e manejado.

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