Postado em 07 de Janeiro às 10h40

CORRER É PREJUDICAL PARA A COLUNA?

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Frequentemente ouvimos esse tipo de questionamento.
Numa análise rápida, temos maior impacto ao nos deslocarmos a uma velocidade maior, então teoricamente isso seria aceitável de se pensar.
Mas será verdade mesmo?
Para uma resposta mais detalhada, temos que analisar situações específicas inerentes ao indivíduo e a atividade em si:
1- Seu nível de condicionamento físico global;
2- A “saúde” dos discos da sua coluna;
3- O nível de performance;
4- O tipo de terreno;
5- A velocidade da corrida;

Primeiramente, quem pensa em iniciar nessa atividade deve lembrar que ela é exigente do ponto de vista músculo-esquelético e fisiológico, sempre é recomendável uma avaliação cardiovascular para descartar patologias e em pessoas mais velhas, o uso de um frequencímetro para controle adequado dos batimentos cardíacos é um bom parâmetro para acompanhamento em tempo real.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -
  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Analisando os aspectos citados acima:

1- Nível de condicionamento:

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Sendo a corrida altamente demandante para as articulações de membros inferiores, primeiramente recomendamos sempre começar devagar e observar a resposta obtida.
Seu corpo precisa de um tempo de adaptação e erro comum é tentar iniciar em um nível além do que o condicionamento inicial permite. Nunca esquecer que o ganho será gradual no decorrer de meses de treinamento.
Você deve lembrar que seu corpo trabalha de forma sincrônica. Então é essencial para que não ocorram lesões, realizar um trabalho físico complementar para não sobrecarregar tendões e músculos ao nível de quadris, joelhos, tornozelos e pés. 

2- A “saúde” da coluna

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Se já existe uma dor presente antes do início da atividade, o correto é buscar uma avaliação com especialista para descobrir a real causa dessa dor e na constatação de uma patologia específica tratá-la antecipadamente.
A grande maioria das vezes medidas corretamente orientadas resolverão a situação.
Nos casos onde há uma determinada doença, o nível dos sintomas irá determinar se há ou não possibilidade de iniciar a atividade.
 

3- O nível de performance

Esse aspecto é importante delimitar no início da atividade: “você quer participar de provas ou somente melhorar sua saúde?”
Evidentemente quem busca um resultado que o coloque em condições de competir deverá saber que o nível de exigência será muito maior e as lesões podem surgir.


4- O tipo de terreno

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

“Quero correr na rua”, “Farei só esteira na academia”, “Pretendo participar de provas de cross-country”.
São situações que mudam o tipo de movimento fino realizado pelo corpo.
Exemplificando, na esteira executamos um movimento linear onde parte do impacto também é absorvido, muito diferente de correr em um terreno íngreme e com cascalho onde a demanda de esforço muscular global gerada a cada passo é muito maior, pois a postura da atividade muda substancialmente.

5- A velocidade
 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Alguns estudos recentes apontam que em velocidades baixas a corrida tem um efeito protetor e inclusive anabólico, ou seja, permite que os discos recebam mais nutrientes e mantenham-se saudáveis por mais tempo.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Então toda pessoa pode correr sem prejudicar sua coluna?


Considerando um coluna onde não exista doença não há contraindicação para a prática desta atividade.
Eventualmente pode ocorrer dor na região lombar, mas esta normalmente é temporária e relacionada a contraturas musculares e regride facilmente com medidas adequadas.
Esses desequilíbrios musculares devem ser corretamente identificados e tratados na imensa maioria dos casos com medidas relacionadas ao fortalecimento e ganho de flexibilidade na região lombar-pelve-quadris.
Naqueles indivíduos que já apresentam alguma doença que lhe traz certo grau de limitação, a corrida pode ser considerada desde que na sua execução não ocorra uma piora importante de sintomas de forma persistente.

O que posso fazer para prevenir lesões?


Um dos principais fatores para a ocorrência de lesão é a quilometragem total, então um primeiro passo lógico seria diminuir o volume de treinamentos.
Você pode intercalar os dias de corrida com outra atividade, chamado de “repouso ativo”, assim permite a recuperação do organismo mais facilmente. A natação é uma ótima alternativa.
Outra medida importantíssima é associar exercícios de alongamentos e relaxamento para minimizar desconforto.

Procure “escutar” seu corpo: dores que permanecem por mais de 24-48h após a atividade não são decorrentes somente do exercício e devem ser avaliadas por profissional capacitado e corretamente investigadas quando achados específicos indicam essa necessidade.
 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -
  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Veja também

LESÕES MUSCULARES14/01/18 O incentivo a um estilo de vida mais ativo é algo que sabidamente diminui riscos de diversas doenças comuns a fase adulta e terceira idade, tais como doenças cardiovasculares, hipertensão, etc. Podendo ocorrer tanto nas extremidades quanto no próprio tronco, como na região lombar, há diversos fatores relacionados a sua ocorrência: idade, nível de......
DOENÇA DO DISCO CERVICAL21/12/19 Estenose significa fechamento, ou seja, estreitamento patológico de algum conduto no organismo. Na coluna cervical temos 2 condições possíveis: - estenose a nível dos forâmes intervertebrais, onde saem as......
FIBROMIALGIA05/09/17 Recentemente foi publicada pela EULAR(European League Against Rheumatism) novas diretrizes a respeito do tratamento da fibromialgia. Esta é a primeira atualização em mais de uma década, não sendo somente baseada em......

Voltar para Blog