Postado em 18 de Outubro às 15h02

COLUNA VERTEBRAL E OSTEOPOROSE

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

A fratura da coluna vertebral por fragilidade óssea é normalmente a primeira e a mais comum de ocorrer.
Estudos demonstram que em até 15% das mulheres entre 50-60 anos já apresentam a lesão e em faixas etárias mais avançadas, isso cresce exponencialmente.
Um dado muito importante chama a atenção: quase metade das fraturas ocorrem em pacientes que apresentam na densitometria o diagnóstico de OSTEOPENIA!
Qual a interpretação prática disso? Uma paciente ao chegar a menopausa faz uma densitometria e seu médico baseado somente no laudo do exame pode lhe afirmar: “A senhora não tem osteoporose, fique tranquila.”
Frisa-se aqui a importância de um exame físico bem feito e uma história clínica corretamente colhida, pois tais dados permitirão ao profissional acender o sinal de alerta para uma pesquisa mais aprofundada.
Se esta condição for reconhecida precocemente e tratada no momento certo, o impacto na qualidade de vida é muito grande.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Apesar de toda a importância, essas fraturas são subdiagnosticadas ou pior ainda: não diagnosticadas.
Isso deve-se a alguns fatores:
- o sintoma típico de dor nas costas e restrição do movimento é muito comum na espondilose, que é o envelhecimento da coluna e então o médico trata como se fosse isso;
- muitas dessas fraturas não são registradas adequadamente nos exames de imagem comuns, quer seja por um laudo insuficientemente claro ou por qualidade de imagem que não permite uma visualização nítida;
- a auto-medicação, é prática comum o uso de analgésicos e anti-inflamatórios de forma indiscriminada. Eles até ajudarão no período sintomático, mas de certa forma irão mascarar a possibilidade do diagnóstico no tempo certo.
Mas por qual motivo ela ocorre primeiro na coluna?
Todos os ossos são formados pelo componente trabecular(a região porosa mais interna) e pelo arcabouço externo mais rígido que chamamos de cortical.
Quando iniciam as alterações que levam a osteoporose, esse osso trabecular é muito mais suscetível as variações hormonais no primeiro momento.
As vértebras proporcionalmente a outros ossos do corpo tem muito mais essa parte interna mais frágil, logo é mais facilmente atingida.

Como detectar essas fraturas “silenciosas”


“Só encontramos aquilo que sabemos que devemos procurar.”
Tudo começa pela coleta de dados pessoais bem feita, identificando os fatores de risco mais comuns:
- idade;
- baixo índice de massa muscular;
- baixo nível de atividade física;
- tabagismo;
- alcoolismo;
- quedas frequentes;
- uso de medicações que podem interferir na absorção de sais minerais;
- diminuição da altura do paciente;
- outras condições crônicas tais como: doenças pulmonares, artrite reumatoide, HIV positivos, doenças renais, tumores de próstata onde o homem tem privação hormonal ou em mulheres que tiveram os ovários retirados.
- histórico de fratura por traumas mínimos.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Exames de imagem são  aliados na investigação.
A densitometria é muito importante, mas deve ser lembrado que ela é realizada normalmente em quadril e coluna lombar e como colocado anteriormente, mesmo pacientes osteopênicos podem já apresentar fraturas no segmento torácico da coluna. 

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Embora tenha perdido espaço na prática regular devido ao fácil acesso a densitometria, a radiografia bem realizada é um importante instrumento para a complementação diagnóstica. Exames com padrão de nitidez ruins não devem ser aceitos nem pelo radiologista, nem pelo médico assistente e nem pelo paciente.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Neste aspecto específico temos um problema que passa pela conscientização: os exames devem ser sempre bem guardados com seus respectivos laudos e preferencialmente quando repetidos, serem feitos na mesma clínica, isso possibilitará o termo comparativo.
Outras modalidades de exames eventualmente podem ser solicitadas, porém somente quando temos outros diagnósticos em mente.
Essa diferenciação é crucial, pois há doenças tumorais na mesma faixa etária que tem abordagem e tratamento completamente diversos.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

E quando detectadas, como podem ser tratadas?


Deve ser abordado por dois pontos de vista distintos:
- a fratura em si, ou seja, se esta lesão está comprometendo a integridade estrutural da coluna;
- a osteoporose que é a doença sistêmica e crônica que facilitou a ocorrência da fratura.

A fratura


Deverá ser considerada qual segmento específico da coluna está lesionado: uma fratura lombar tem uma abordagem de tratamento diferente de uma torácica.
Temos que observar critérios que identificam a falha estrutural e que em última análise podem levar a danos na medula e nas raízes nervosas.
Felizmente a imensa maioria dos casos é de tratamento conservador.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Quando há indicação de cirurgia, cuidado redobrado deverá ser tomado pois a porosidade óssea diminuída poderá levar a falha da fixação que for realizada, o que acrescentará riscos ao doente.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Outra alternativa é o uso de técnica onde injetamos cimento ósseo para dentro do corpo vertebral fraturado para devolvermos a capacidade de sustentação.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Independentemente do método, o doente e seus familiares devem estar cientes dos índices de complicações e falhas possíveis.

A osteoporose em si


Uma fratura osteoporótica nunca deve ser considerada um evento isolado, pois trata-se de uma condição sistêmica e progressiva.
Após uma primeira fratura vertebral a chance de uma segunda ocorrer na coluna é 5 vezes maior e de quebrar o fêmur é 3 vezes maior.
Esses números por si só realçam a importância de suspeitarmos, identificarmos e tratarmos a longo prazo esses pacientes. O impacto dessas lesões nos sistemas de saúde público e privado são alarmantes e crescem ano a ano. Mas muito mais importante é o impacto na saúde de cada indivíduo.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

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