Postado em 01 de Maio de 2019 às 10h30

CÃIBRAS NA PRÁTICA DE EXERCÍCIOS: O QUE VOCÊ PRECISA SABER

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -
  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

Praticamente todas pessoas, ao começarem uma atividade física de “endurance” ou mesmo em outras modalidades como nosso popular futebol, já apresentaram em algum momento a desagradável sensação de cãibras. É uma contração súbita, involuntária e dolorosa de um músculo ou parte dele, que se autoextingue dentro de segundos a minutos e é frequentemente acompanhada por um nó palpável do músculo.
Embora ocorram em diversas patologias, vamos considerar neste texto somente sua ocorrência em indivíduos saudáveis.
Os principais fatores de risco são:
- história familiar de cãibras;
- ocorrência prévia de cãibras durante ou após o exercício;
- aumento da intensidade e duração do exercício;
- condicionamento inadequado para a atividade desempenhada.
Deve ser diferenciada de espasmos musculares, porém isso só pode ser corretamente feito através de exame específico.
As características mais comuns das cãibras são:
- extremamente dolorosas;
- apresentam um início explosivo e involuntário;
- apenas um músculo ou parte dele está envolvido;
- ocorre mais nos músculos da coxa e perna.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

A teoria mais difundida é a existência de um desequilíbrio relacionado à hidratação e aos íons circulantes que estão envolvidos no mecanismo de contração muscular.
Entretanto, há falhas de método nessa teoria: ela não explica como as cãibras ocorrem em atividades realizadas sob condições climáticas mais amenas, e a maioria dos estudos são o que chamamos de “observacionais”, ou seja, de menor validade científica.
Alguns trabalhos científicos conduzidos com método mais rigoroso, comparando condições de reposição e não reposição, derrubam essa possibilidade.
Outras condições têm sido sugeridas:
- acúmulo de metabólitos, ou seja, as substâncias produzidas durante a atividade;
- a intensidade da atividade;
- a aclimatação.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

A teoria neuromuscular propõe que existe uma fadiga entre a excitação nervosa que causa a contração e a inibição para que uma nova contração aconteça.
Isso leva a uma condição de “curto-circuito” ou perda do controle a nível medular e as descargas elétricas que ocorrem entre o nervo e o músculo passam a ocorrer de forma desordenada.
Os estudos conduzidos para esta teoria são mais bem conduzidos e por consequência, atualmente, é a mais bem aceita.
Contudo, a dificuldade de registrá-la em parâmetros corretos no momento em que ocorre no ser humano não deixa claro o quão fatigado o músculo deve estar.

Tratamento
Pela controvérsia gerada pelo real motivo de sua ocorrência, existe uma infinidade de sugestões para tratá-las:
- bebidas esportivas;
- gelo;
- massagem;
- diminuição da intensidade da atividade;
- posicionamento do corpo;
- medidas fisioterapêuticas como o TENS (estimulação elétrica transcutânea);
Foram testadas em humanos também algumas substâncias como o quinino (presente na água tônica) e beta-bloqueadores (medicação utilizada no tratamento de arritmias cardíacas) e mais popular e conhecida de todas: o alongamento. Todas essas três últimas têm melhor nível de evidência científica do que as outras citadas. Uma ressalva importante em relação ao uso de fármacos é JAMAIS fazer sem consentimento ou orientação médica.
Resumindo
-Apesar da falta de evidências em relação à cãibra, manter a reposição adequada de líquidos e eletrólitos é importante para evitar outras situações desagradáveis, monitorar o peso antes e depois da atividade para fazer isso de forma adequada é recomendável;
- realização de exercícios específicos e sob orientação para melhorar o condicionamento, eficiência da resposta neuromuscular e resistência global para a atividade realizada;
- treinamento de endurance feito de forma correta, com período de recuperação adequado para evitar fadiga também demonstraram evidência sólida na prevenção;
- o alongamento quando a cãibra ocorre é a medida com melhor evidência científica;
- se ela for acompanhada de outros sintomas como náuseas, confusão mental, cólicas é necessário parar a atividade e ser avaliado por um médico;
- a persistência do quadro, mesmo com essas correções, requer uma investigação clínica adequada para que doenças também implicadas no surgimento de cãibras sejam descartadas.

Espero que com essas informações você desfrute sua atividade de forma mais prazerosa.

  • Dr. Márcio Telesca – Especialista em Cirurgia de Coluna -

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